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"Você já sabia que ele tinha filhos..."

Quando alguém começa um curso novo, um relacionamento novo ou qualquer projeto que seja desconhecido, e há dificuldade no processo justamente por ser algo até então não vivenciado, as pessoas no entorno costumam encorajar quem está passando por este novo desafio, afinal, é normal ter dúvidas e encontrar pedrinhas no caminho de qualquer empreitada. PORÉM, quando, uma mulher começa a se relacionar com alguém que tenha filhos e ousa se abrir sobre isso, é muito provável que ela vá escutar o seguinte: “Mas você já sabia que ia ser assim, e vai ser assim para sempre.”

Eu ouvi muito estas frases no início do meu relacionamento, e hoje após quase 5 anos, eu vejo o quanto elas não possuem acolhimento, o quanto elas são punitiva, engessadas e preconceituosas. Quando uma madrasta (mãe, pai, padrasto, qualquer pessoa ) partilha dos seus dilemas, ela está em busca de troca, e não de uma ‘profecia’ que cessa o diálogo e constrange um dos lados.

Quando eu iniciei meu relacionamento com meu esposo (mais conhecido como amor da minha vida), eu imaginei, sim, que teríamos muitas questões a enfrentar, e de fato, foram muitos os desafios, (como todo relacionamento que avance) mas, muitos deles foram construídos não pelos bastidores do meu formato de família, mas pela falta de acolhimento, pelo julgamento, por este lugar de autoridade que o outro acredita ter para comentar a frase título deste post. E em muitas vezes, quem propaga um discurso negativo é uma pessoa do bem e muito esclarecida, por isso é importante falarmos quando algo nos fere, porque assim iremos construir novas narrativas e novas abordagens em nossos diálogos sobre afetividade.

Hoje eu vivo com um homem que tem uma imensa compatibilidade emocional comigo, me respeita exageradamente, acolhe meus tesouros, minha liberdade (uma das minhas melhores amigas), meus traumas e minhas dores, e com ele e nosso pequeno formamos nossa família... Temos questões e dores? Claro que sim, mas ELAS ESTARÃO PRESENTES EM TODO E QUALQUER RELACIONAMENTO QUE SEJA SAUDÁVEL. (conflito, vulgo treta, tem em toda relação, vamos parar de romantizar um pouco?)

Que possamos parar de usar pesos e medidas diferentes para falar dos nossos relacionamentos. Que a compatibilidade emocional e a responsabilidade afetiva sejam os motores para os nossos diálogos sobre amor e amar bem como nossas escolhas nesta esfera da vida.

Menos estereótipos, mais acolhimento. Este é meu convite com o Missão Madrasta, vamos?


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