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Maternagem marginalizada

Mães maternam no mundo, madrastas em um submundo... Pode parecer dramático, mas do ponto de vista da madrasta... é bem real. Por isso é importante falarmos sobre isso para que as outras pessoas que não estão no nosso papel, saibam como muitas vezes ele pode ser invisível socialmente, e cientes disso, quem sabe a gente não possa ser mais acolhida, não é mesmo?

Conversando com amigas que são mães, percebo que os perrengues, os cansaços e os desafios são bem parecidos em relação aos desafios das madrastas que maternam. (Pessoal, eu sei que nem toda madrasta tem contato com os entes, nem toda madrasta materna, mas o meu lugar de fala e de MUITAS outras madrastas é de, sim, maternar – ter responsabilidades, zelar e auxiliar na criação de um ser humano, então eu vou falar disso sempre por aqui.) São correrias para conciliar tempo com a criança, com marido, com carreira, com amigas, com os sonhos e projetos pessoais; Culpa por tentar fazer o máximo e as vezes não conseguir atingir o resultado previsto; Busca de conhecimento para oferecer a criança boas experiências etc. Tentativas de estar com a família e com redes de apoio. Culpa de novo kkkkk a lista é enorme.

E eu acredito que as mães são muito confrontadas também diariamente, porque na sociedade patriarcal toda mulher está sendo cobrada por algum motivo, mas a cobrança em relação as mães provavelmente não é primária, não é sobre quem elas são, nem sobre a identidade delas. A mãe está legitimada, e ainda que haja muitos desafios, uma mãe está amparada por uma validação estruturada e forte e não é isso que estou criticando, PELO AMOR DE DEUS, o que estou dizendo, é que as mães maternam sobre um solo difícil (todo mundo que materna sabe que não é fichinha) mas carimbado com um selo de aceitação social. Já a madrasta que materna, passa por calvários semelhantes ao das mães no dia a dia, mas fora do tecido aceito, validado, permitido, bem quisto na sociedade etc etc etc. Somos colocadas a margem o tempo todo, de forma velada ou escancarada. Ou seja, além de todas as transformações que o maternar traz, ainda temos que AO MESMO TEMPO, lutar para sermos respeitadas como mulheres normais, sem precedentes negativos apenas por estarmos vivendo papel. Se uma mãe está cansada, ela pode recorrer as amigas, a sua família... há uma possibilidade real e validade a se recorrer, mas se uma madrasta está cansada, ela precisa pensar UM ZILHÃO DE VEZES em quem a apoiaria sem julgamento. Isso é maternar a margem. Se identificaram, queridas madrastas? Kkk Aposto que sim.

Não escrevi este post para dizer que o que a mãe faz é mais fácil do que a madrasta faz, não é isso, não é sobre facilidade é sobre legitimidade e sobre o preconceito “invisível” com as figuras femininas que estão fora da “família tradicional”, por isso, acolha uma madrasta, seja rede apoio... Para nós, faz toda a diferença. A madrasta que materna não quer o lugar do mãe, mas o respeito por ter escolhido maternar. A madrasta que materna, materna por escolha e não por dever. Isso não seria motivo para acolhimento ao invés de pedrada? Por isso eu repito. Se tiver oportunidade, ACOLHA UMA MADRASTA.

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